«Não, não é por acaso...
Ferran Soriano transformou o Barcelona em muito mais do que um clube. “A Bola Não Entra por Acaso” mostra como o fez
Pelo título pode parecer que sim, mas não – A Bola Não Entra por Acaso não é um livro de futebol. E apesar do que está no pós-título também não é um livro de gestão. É muito mais do que ambas essas coisas – é uma viagem maravilhosa por um mundo cheio de mistérios, tendo o FC Barcelona como ponto de partida e de chegada. Ferran Soriano foi seu director-geral e seu vice-presidente entre 2003 e 2008. Quando lá entrou tinha 36 anos e carreira fulgurante na área das ciências empresariais, transformou-o num dos culbes mais rentáveis do universo. Ao longo das páginas desta sua obra correm histórias reais que, por vezes, parecem anedotas – por exemplo, a que conta que Geovanni e Rochembak foram contratados por 18 e 12 milhões de dólares simplesmente porque alguém foi capaz de convencer directores do Barça de que eram novos Garrincha e Neeskens.
FC Porto e um mito desmontado
Desmontam-se mitos – como esse de que as equipas que ganham aão as que pagam os slários mais altos, as que são capazes de contratar os jogadores mais sedutores. E para a desmontagem usa-se o FC Porto. “O clube não ganha dinheiro, pelo contrário tem um orçamento estruturado para perder em cada época uns 10 milhões de euros na sua actividade corrente. No entanto, converteu-se num negócio extraordinário com a compra e venda de jogadores, sobretudo brasileiros, aos quais serve de ponte para os maiores clubes, aproveitando o facto de a legislação portuguesa permitir nacionalizar brasileiros de uma forma célere. E numa época em que conseguiu reunir um bom punhado de talentos, dirigidos por José Mourinho, chegou a ganhar a Liga dos Campeões. Depois dessa época de sucesso, o Porto negociou os melhores jogadores e obteve uma receita extraordinária de 80 milhões de euros, com os quais poderia financiar o seu fédice estrutural e recorrente dos oito anos seguintes...”
Saviola ou o golo a 6000 euros
Revelam-se estratégias de gestão – e segredos da revolução de Soriano inspirado na analogia do Rato Mickey da Disney com o David Beckham do Manchester United. Fala-se do rebuliço no mercado que Roman Abramovich causou com os 166 milhões de euros que puseram no Chelsea Mourinho, Drogba, Cech, Ricardo Carvalgo, Paulo Ferreira, Robben – e do FC Barcelona a ir por outro lado, criando esquema novo de pagamentos, uma parte fixa, outra variável, bem diferente do de Saviola que, irritado com a mudança, se foi embora: “No seu contrato tinha uma cláusula que dizia que deveria receber 6 mil euros por cada golo que marcasse. Lembro-me do aborrecimento monumental de Franck Rijkaard quando soube disso...”
30 milhões de Pepe, o e-mail
Sim, através de Feran Soriano não se fica a saber apenas como se constrói uma equipa vencedora, como se gere o capital humano do talento extraordinário, como se pode inovar de forma prática e eficiente – ainda se fica a saber quais os melhores trilhos para se fecharem negociações com suceso. A propósito, conta-se como a notícias da Marca de que Pepe deixara o FC Porto, acabara de assinar pelo Real Madrid por 30 milhões de euros levou a um e-mail que pôs a negocioção de Milito em ponto crítico – porque o Barca queria dar “apenas” 15 milhões por ele...
Galácticos… roubados?
De quando em quando, salta a crítica a outros modelos: o que acontece quando o Real joga nas contratações dos galácticos com os seus direitos de imagem: “Distrai o jogador do que é realmente importante, que não é outra coisa senão treinar, jogar e ganhar. Quando assinavam os grandes contratos, ficavam muito satisfeitos. Porém, meses mais tarde, quando filmavam um anúnicoo por 200 mil euros e 100 mil iam parar aos cofres do clube, pareciam que estavam a ser roubados…”
E é por tudo o que desvenda que o livro de Soriano é o que é: “pensado para partilhar um pouco da lógica, do senso comum e das ferramentas de gestão que vi serem usadas no mundo do futebol ao longo destes últimos anos” – sem ser compêndio descritivo de ideias teorias. “Também não é um livro de histórias engraçadas, nem de memórias, bem pretende distribuir medalhas.” Pois não. E quando se chega ao fim vê-se que é mesmo assim: a bola não entra por acaso...»
A Bola, 23 Junho 2010
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Imprensa:
«Chefie a sua vida
A visão elitista de que a liderança é só para alguns tem os dias contados, defende César Souza, especialista em gestão e RH
Antes de pretender liderar os outros deve aprender a liderar-se a si mesmo. É esse o grande enigma da liderança, afirma César Souza, 55 anos, considerado pelo World Economic Fórum de Davos um dos 200 líderes globais do futuro e autor da obra Você É Líder da Sua Vida (Gestãoplus Edições, 2007). Este é o quarto livro do consultor brasileiro, actualmente presidente da Empreenda, consultora em estratégia, marketing e recursos humanos, e estará disponível em Portugal no final de Junho. Formado em Gestão de Empresas e com um MBA, foi sócio do Monitor Group, empresa fundada por Michael Porter.
A visão deste guru difere do pensamento tradicional. "Li cerca de 200 livros nos últimos anos sobre o tema e não há grandes novidades. Continua a insistir-se na mesma coisa, sobretudo na visão elitista da liderança" diz o autor. E insiste que liderança não é sinónimo de cargo nem de posição social e que todas as pessoas podem ser líderes nalguma fase da sua vida. "Quando estamos em casa a ajudar um parente numa situação difícil ou quando tentamos influenciar os outros, estamos a exercer a liderança", explica.
Mulheres ao poder
A grande maioria dos especialistas nesta temática trata a liderança como se fosse um fenómeno masculino. César Souza discorda, argumentando que as mulheres assumem, cada vez mais, posições de comando nas empresas e nos governos. "Prevejo que a partir de 2025 teremos mais mulheres do que homens a liderar", afirma. As senhoras têm características naturais que são hoje muito apreciadas num líder como a capacidade de negociação; fazer várias coisas ao mesmo tempo; e a flexibilidade. O especialista considera um erro, nos dias de hoje, que as líderes femininas tentem copiar as características dos homens.
É também um engano confundir liderança com carisma e tentar clonar outros dirigentes. Cada um deve aprender com os sucessos e os equívocos dos outros, mas não copiar o seu estilo. Isto é uma premissa fundamental para a construção de um líder eficaz, que César Souza define como "aquele que consegue resultados surpreendentes e ao mesmo tempo consegue ter as pessoas à sua volta motivadas".
Fábricas de formação
O segredo é que não há receitas prontas para formar dirigentes. César Souza defende que as empresas vencedoras são aquelas que conseguem montar fábricas de liderança. As sociedades precisam de líderes a todos os níveis e não apenas de topo. "Longe vai a época em que bastava ter um ou dois chefes visionários para crescerem. Por isso defendo que um líder eficaz forma outros líderes e não apenas seguidores", remata.
O livro ensina isto de forma original: conta uma história de ficção em que um jovem colaborador de uma empresa, insatisfeito com o seu papel na companhia, faz uma viagem a vários países, conhecendo um sem-número de líderes, esses, sim, reais. Assim aprende a conduzir a sua vida, o primeiro passo para dirigir os outros.»
Texto de Helena C. Peralta, Exame, Junho de 2007
«Chefie a sua vida
A visão elitista de que a liderança é só para alguns tem os dias contados, defende César Souza, especialista em gestão e RH
Antes de pretender liderar os outros deve aprender a liderar-se a si mesmo. É esse o grande enigma da liderança, afirma César Souza, 55 anos, considerado pelo World Economic Fórum de Davos um dos 200 líderes globais do futuro e autor da obra Você É Líder da Sua Vida (Gestãoplus Edições, 2007). Este é o quarto livro do consultor brasileiro, actualmente presidente da Empreenda, consultora em estratégia, marketing e recursos humanos, e estará disponível em Portugal no final de Junho. Formado em Gestão de Empresas e com um MBA, foi sócio do Monitor Group, empresa fundada por Michael Porter.A visão deste guru difere do pensamento tradicional. "Li cerca de 200 livros nos últimos anos sobre o tema e não há grandes novidades. Continua a insistir-se na mesma coisa, sobretudo na visão elitista da liderança" diz o autor. E insiste que liderança não é sinónimo de cargo nem de posição social e que todas as pessoas podem ser líderes nalguma fase da sua vida. "Quando estamos em casa a ajudar um parente numa situação difícil ou quando tentamos influenciar os outros, estamos a exercer a liderança", explica.
Mulheres ao poder
A grande maioria dos especialistas nesta temática trata a liderança como se fosse um fenómeno masculino. César Souza discorda, argumentando que as mulheres assumem, cada vez mais, posições de comando nas empresas e nos governos. "Prevejo que a partir de 2025 teremos mais mulheres do que homens a liderar", afirma. As senhoras têm características naturais que são hoje muito apreciadas num líder como a capacidade de negociação; fazer várias coisas ao mesmo tempo; e a flexibilidade. O especialista considera um erro, nos dias de hoje, que as líderes femininas tentem copiar as características dos homens.
É também um engano confundir liderança com carisma e tentar clonar outros dirigentes. Cada um deve aprender com os sucessos e os equívocos dos outros, mas não copiar o seu estilo. Isto é uma premissa fundamental para a construção de um líder eficaz, que César Souza define como "aquele que consegue resultados surpreendentes e ao mesmo tempo consegue ter as pessoas à sua volta motivadas".
Fábricas de formação
O segredo é que não há receitas prontas para formar dirigentes. César Souza defende que as empresas vencedoras são aquelas que conseguem montar fábricas de liderança. As sociedades precisam de líderes a todos os níveis e não apenas de topo. "Longe vai a época em que bastava ter um ou dois chefes visionários para crescerem. Por isso defendo que um líder eficaz forma outros líderes e não apenas seguidores", remata.
O livro ensina isto de forma original: conta uma história de ficção em que um jovem colaborador de uma empresa, insatisfeito com o seu papel na companhia, faz uma viagem a vários países, conhecendo um sem-número de líderes, esses, sim, reais. Assim aprende a conduzir a sua vida, o primeiro passo para dirigir os outros.»
Texto de Helena C. Peralta, Exame, Junho de 2007
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